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Ações de videomonitoramento e banco de dados da Segurança Pública são ampliados no Ceará

As ações de videomonitoramento e o big data (centro de banco de dados) da Segurança Pública no Ceará foram ampliados, com a criação de uma nova ferramenta, o Agilis, lançado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) na última quinta-feira (20). A tecnologia foi desenvolvida pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), órgão vinculado à Secretaria.

A Supesp completa três anos nesta semana e irá realizar o primeiro Seminário de Estratégia e Inovação em Segurança Pública (SEISP), para divulgar o Agilis e as outras ferramentas desenvolvidas pelo Órgão, durante esses anos. O Seminário terá como tema “Segurança Pública Baseada em Evidências” e contará com palestras e mesas redondas, nas próximas quinta-feira (27) e sexta (28).

Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, o superintendente da Supesp, Helano Nogueira, revelou que a nova tecnologia, a partir do videomonitoramento, irá permitir a identificação do modelo e da marca de automóveis suspeitos e ainda de marcas de uso, como arranhões, e adesivos – detalhes que vão além da visualização das placas dos veículos, trabalho realizado pelo Sistema Policial Indicativo de Abordagem (Spia). Segundo a SSPDS, a nova ferramenta também irá integrar mapas interativos, imagens, ícones e outras informações.

O Spia foi desenvolvido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Secretaria da Segurança Pública, em 2017. Desde então, expandiu-se pelo território cearense e colaborou com a redução de índices de roubos e furtos no Estado.

Com a flexibilização das medidas de isolamento social, em razão da pandemia de Covid-19, em maio, a ferramenta realizou 97 milhões de leituras, em apenas 19 dias. Em média, são 216 mil leituras por hora, 3.600 por minuto e 60 por segundo. Segundo a SSPDS, em horário de pico, a tecnologia consegue ler simultaneamente até 300 placas por segundo.

O titular da Secretaria da Segurança Pública, Sandro Caron, destacou que o Agilis se soma às outras ferramentas utilizadas pela Pasta, como o Spia e o Cerebrum (Big Data).

PRÓXIMOS PROJETOS DESENVOLVIDOS PELA SUPESP

O superintendente da Supesp, Helano Nogueira, destacou também que a Segurança Pública do Ceará procura integrar mais bancos de dados ao big data da Pasta, nomeado de Cerebrum – que hoje reúne 16 bancos de dados do Estado. O objetivo é ampliar esse número, a partir do convênio com outras instituições, como a empresa que fornece energia elétrica para a população cearense e a Secretaria da Fazendo do Ceará (Sefaz), das quais os agentes de segurança podem extrair informações como o endereço e dados fiscais de uma pessoa suspeita, respectivamente.

A Supesp ainda irá lançar um site próprio, em comemoração ao aniversário de três anos, que irá dispor de estatísticas criminais e mapas do Estado interativos, abertos ao público em geral que se interessa em acompanhar e comparar os números da Segurança Pública do Ceará.

Helano Nogueira aponta ainda para tecnologias que devem durar mais alguns meses para a implantação, nas quais a Supesp também trabalha: a carteira de identidade digital, prevista para 2022; o mapeamento de facções criminosas que atuam no Estado; e uma ferramenta que irá otimizar o gerenciamento dos recursos humanos e materiais da Polícia Militar do Ceará (PMCE).

SEGURANÇA PÚBLICA BASEADA EM EVIDÊNCIAS

O tema do primeiro Seminário de Estratégia e Inovação em Segurança Pública, da Supesp, será justamente “Segurança Pública Baseada em Evidências”. Segundo Nogueira, este novo modelo de trabalhar a Segurança Pública pauta a polícia cearense há pelo menos quatro anos.

“No passado, a gente tinha uma Segurança Pública baseada no empirismo. Uma pessoa chegava e dizia: ‘eu acho que a criminalidade está nesse local, porque estou há um tempo, fiquei olhando e acho que tem mais crime nessa localidade’. Isso só tem uma visão micro do que está acontecendo naquele local. A Segurança Pública baseada em evidências leva em conta dados científicos. É a ciência aplicada à Segurança Pública”, diferencia.

A Supesp foi criada para otimizar esse modelo de Segurança Pública, a partir da Lei nº 16.562/2018. O Órgão cresceu nos últimos anos e hoje conta com 28 profissionais, inclusive estatísticos, geógrafos, economistas, cientistas de dados, cientistas da computação e matemáticos. Esta equipe, junto com instituições parceiras, desenvolve conceitos de inteligência artificial, ciência de dados, álgebra de campo, georreferenciamento e geoprocessamento.

Confira outras tecnologias desenvolvidas pela Supesp:

  • Portal de Comando Avançado (PCA): aplicativo instalado no aparelho celular dos agentes de segurança para acesso instantâneo a dados civis e criminais de um suspeito junto à SSPDS-CE. Também realiza o reconhecimento facial.
  • Sistema Analítico de Crimes (Status): análise das manchas criminais, ou seja, dos locais onde há as maiores incidências de crimes, em uma região, para ajudar nas tomadas de decisões dos gestores da Segurança Pública. Desenvolvido no projeto Inteligência Científica e Tecnológica Aplicada à Segurança Pública, que é parte do Programa Cientista Chefe, fomentado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), em parceria com a Supesp.
  • Sistema de Georreferenciamento Operacional (Sigo): auxilia o trabalho do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), na indicação do quartel e dos hidrantes mais próximos de um sinistro e na rota para o local. Conquistou o terceiro lugar na final do VI Prêmio Anual Gestion para Resultados en el Desarollo 2020, na categoria “Monitoramento e Avaliação – Províncias e Estados”, organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no último dia 12 de maio.

Fonte: Diário do Nordeste

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