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Como funciona o cercamento eletrônico, que será ampliado no RS

Atualmente operando em seis cidades, tecnologia auxilia a identificar veículos irregulares. Previsão é de que 19 cidades recebam equipamentos até julho/2020.

Desejo antigo das autoridades de segurança pública, o cercamento eletrônico para identificar veículos que circulam por cidades e rodovias começa a se tornar realidade no Rio Grande do Sul. A partir de um projeto com recursos de emenda de bancada federal, seis municípios estão com a tecnologia em funcionamento e outros 13 aguardam a ligação de energia elétrica ou rede para entrarem em ação. Porto Alegre conta com 162 câmeras, mas não está entre os seis, pois adotou o cercamento com recursos próprios.

No mesmo projeto estadual, outros 17 municípios serão beneficiados com câmeras comuns, de videomonitoramento, além de salas de monitoramento (confira as cidades que têm ou terão os equipamentos abaixo). O prazo para conclusão do sistema é julho de 2020.

No cercamento eletrônico, uma câmera faz a leitura das placas dos veículos e passa para análise em um banco de dados. Se for identificada alguma irregularidade, como casos de roubo ou furto, um alerta é emitido para a Guarda Municipal e a Brigada Militar, que destinam as equipes mais próximas para o atendimento da ocorrência.

Os recursos foram distribuídos conforme projetos que foram desenvolvidos pelas próprias prefeituras. O maior número de pontos de cercamento eletrônico será em São Leopoldo, no Vale do Sinos. Serão 32 locais monitorados, com 64 câmeras que já estão instaladas e apenas aguardam a ligação de energia elétrica para entrarem em operação.

Todas as informações serão concentradas em uma sala de monitoramento já existente, onde chegam imagens de outras câmeras do município, além de pardais de trânsito.

— Elas (as imagens) vêm para um servidor (equipamento) que é direcionado para um banco de dados da polícia, onde se faz uma confrontação com os veículos que estão em situação de crime. No nosso terminal, sempre que um veículo estiver em situação irregular, vai dar um alerta. A partir dessa sala, a gente pode comunicar as equipes operacionais — explica o diretor de planejamento estratégico, José Carlos Pedrozo. Já existe uma prevenção pela própria instalação. Quer dizer, o sistema sendo divulgado, que teremos pontos nas principais vias de acesso e circulação. Só pela própria divulgação, já qualifica a segurança pública do município — completa o secretário municipal de segurança de São Leopoldo, Carlos Santana.

Se mesmo assim os criminosos insistirem em agir na região, o trabalho da Brigada Militar será facilitado. Isso porque as buscas sempre se iniciam a partir de informações repassadas pelo telefone 190. Quanto mais informações, mas rápida será a recuperação do carro.

— A nossa sala de operações recebe muitas vezes de testemunha ou vítima dados e características do infrator, com isso, nosso policial partia para a busca do infrator. Com essa inovação e ligação que temos com a secretaria municipal e Polícia Civil, a pronta resposta deverá ocorrer de maneira mais célere para a comunidade — comemora o comandante da Brigada Militar em São Leopoldo, tenente-coronel Sérgio Gonçalves dos Santos.

Além disso, os policiais vão ganhar mais agilidade para identificar carros suspeitos. Antes, as placas precisavam ser inseridas e consultadas manualmente no sistema. Com a tecnologia, a operação se torna automática.

Protocolo será definido em cada cidade
O protocolo de atendimento das ocorrências ainda está em análise e deve ser definido em reunião entre prefeitura, Brigada Militar e Polícia Civil. A intenção do executivo é contar com policiais dentro da sala de monitoramento, para agilizar ainda mais o atendimento das ocorrências.

— Nós vamos organizar um grupo de trabalho com as instituições policiais, inclusive para atendimento setorizado. Nós temos que ter um mapa com localização das viaturas para que a gente faça o atendimento o mais breve tempo possível — projeta secretário municipal de segurança de São Leopoldo.

Questionado sobre a possibilidade de destinar um policial para a sala, o coronel Sérgio afirma que são necessários alguns últimos ajustes para tomar uma definição a respeito.

Sistema em operação
Enquanto São Leopoldo ajusta os últimos detalhes, Esteio, na Região Metropolitana, está com o sistema em funcionamento desde o dia 21 de janeiro. Nos quatro pontos distribuídos pela cidade com 80 mil habitantes, dois veículos furtados foram flagrados e recuperados.

Os novos equipamentos, no entanto, causaram desconfiança entre alguns moradores, que acreditavam ser câmeras para flagrar infrações do trânsito ou carros com IPVA atrasado.

— As pessoas questionam muito os órgãos municipais sobre a verdadeira utilidade das câmeras. A gente esclarece que as câmeras têm finalidade muito preventiva, em razão de que o delinquente sempre vai procurar os locais com mais facilidade — relata o secretário municipal de segurança de Esteio e tenente-coronel da reserva, Ronie Coimbra.

Além do cercamento, o município ainda conta com outras câmeras de videomonitoramento que já estavam instaladas. As imagens são enviadas para uma sala na sede da Secretaria Municipal de Segurança, onde são monitoradas por agentes da Guarda Municipal.

Conhecendo a real utilidade dos equipamentos, o síndico de um prédio comemorou a instalação de um desses pontos em frente ao imóvel.

— Acho que todo o Esteio está sendo cercado. E isso pra nós é uma questão de segurança para a cidade, porque essa rua é uma saída para a BR-116 e RS-118. Nós ficamos muito mais seguros com esse cercamento na cidade — contou o síndico Júlio César Lanes Vieira.

O sistema
Serão 187 pontos (duas câmeras em cada) monitorando trechos em 19 cidades gaúchas

Confira na íntegra: GHZ

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