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Cidades seguras: o mapa das HOT ZONES Urbanas

Cidades seguras: o mapa das hot zones urbanas

Felipe Sampaio – Capital Político

O papel das prefeituras na segurança pública antecede a ação policial em aspectos fundamentais, como a prevenção da violência em si, a promoção da sensação de segurança e a disponibilização de informação qualificada sobre as dinâmicas da criminalidade urbana para as polícias e demais órgãos envolvidos com a segurança.

A responsabilidade dos municípios não é pequena, considerando-se que quase cento e oitenta milhões de pessoas vivem nas áreas urbanas brasileiras, o que representa mais de 85% da nossa população total.

Algumas dessas cidades abrigam uma população maior do que países importantes. É o caso de São Paulo, município com número de habitantes superior à Bélgica, Grécia ou Portugal. Por sua vez, a cidade do Rio de Janeiro tem população maior do que a Dinamarca, Irlanda ou Noruega.

Dentro de cada cidade o grau de desenvolvimento humano varia para os diferentes bairros e comunidades. Significa dizer que, em uma mesma cidade, existem pessoas e locais que gozam de melhores condições de vida, enquanto outros vivem em situação de vulnerabilidade econômica, social e física.

Existem regiões da cidade que, por inúmeros fatores, apresentam maior propensão à insegurança do que outras. Essas áreas críticas (hot zones) são definidas por características geográficas, urbanísticas e sociais que facilitam padrões e dinâmicas favoráveis à ação criminal propriamente dita, bem como produzem medo e insegurança na população.

Nesse cenário, as hot zones devem ser objeto de diagnóstico cuidadoso por parte das prefeituras, em parceria com outros órgãos envolvidos com a política de segurança cidadã no município.

Um dos pontos de partida para a identificação dessas áreas inseguras são as estatísticas de ocorrências criminais, como homicídios, assaltos, roubos, brigas, rachas de carro, agressões, vandalismo, vendas de drogas etc.

Outro instrumento de identificação de hot zones, usado com menor frequência, são as pesquisas de vitimização, realizadas junto a indivíduos ou a estabelecimentos de negócios. São rodadas de entrevistas que revelam as ocorrências de crimes não notificadas, captando também a sensação de medo e a opinião das pessoas vulneráveis, que durante a pesquisa dão testemunho das movimentações suspeitas, da coação, da extorsão, dos estupros, furtos, violência doméstica e outras violações.

Um diagnóstico bem feito permite localizar nas hot zones fatores como a degradação da infraestrutura pública, a inexistência de espaços de convivência, a escuridão das ruas, a má pavimentação, o estado das calçadas, terrenos baldios, vegetação e falta de saneamento, por exemplo.

O estudo das dinâmicas e dos hábitos nas hot zones pode revelar ainda os seus pontos mais inseguros (hot spots) como, em alguns casos, tem sido apontado nas redondezas de escolas, próximo a paradas de ônibus, perto de bares noturnos, em esquinas escuras, ruas com pouco movimento, entre inúmeros outros.

As denominadas hot zones não podem ser tratadas como áreas violentas, como se fosse um território inimigo passível de invasões policiais. São áreas inseguras, em que os cidadãos se encontram em situação de vulnerabilidade.

Ações preventivas no âmbito das políticas municipais podem ser planejadas e executadas nas hot zones, e em seus hot spots, de maneira integrada, pelos diversos órgãos municipais responsáveis por obras, educação, trânsito, saúde, meio ambiente, cultura, esportes, direitos humanos, turismo e segurança cidadã.

Desse modo, o trabalho das polícias e das guardas municipais consegue resultados mais expressivos e duradouros, aprimorando-se as ações de inteligência e monitoramento, bem como melhorando as condições para o policiamento de proximidade, reduzindo-se no médio prazo a necessidade de ações repressivas com desdobramentos violentos.

Fonte: Capitalpolitico.com

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