Interjato Soluções

Brasil perdeu muito tempo, diz CEO da Interjato Soluções

Defensor da vacinação como forma mais efetiva de mitigar o avanço mortal da pandemia do novo coronavírus na sociedade e na saúde financeira das empresas, o empresário Erich Rodrigues, da Interjato Soluções, analisa o cenário atual no mercado. Ele critica o tempo perdido pelo governo federal na aquisição da imunizantes e destaca que a sociedade deveria ter se comprometido mais com o isolamento social, pois isso teria diminuído o número de contaminação e mortes pela covid-19.

Fonte: Tribuna do Norte | Por: Ricardo Araújo | Fotografia: Cristiano Abreu

Defensor da vacinação como forma mais efetiva de mitigar o avanço mortal da pandemia do novo coronavírus na sociedade e na saúde financeira das empresas, o empresário Erich Rodrigues, da Interjato Soluções, analisa o cenário atual no mercado. Ele critica o tempo perdido pelo governo federal na aquisição da imunizantes e destaca que a sociedade deveria ter se comprometido mais com o isolamento social, pois isso teria diminuído o número de contaminação e mortes pela covid-19.

Erich Rodrigues, CEO da Interjato Soluções de uma das mais antigas empresas de Tecnologia da Informação no Rio Grande do Norte, ele defende o uso de mão de obra local no desenvolvimento de novas tecnologias. Para isso, porém, é preciso investimento em formação  e qualificação profissional.  “Precisamos investir muito fortemente na criação de um ecossistema para que as ideias possam florescer, para que os jovens que tenham ideias inovadoras possam daqui mesmo construí-las e coloca-las de pé aqui em Natal e no Rio Grande do Norte”, ressalta Rodrigues.

Veja a seguir os principais pontos da entrevista:

O mercado de TI foi um dos que mais mudou desde o início da pandemia, em decorrência da ampliação da digitalização de processos e maior uso da internet. Como o senhor avalia esse mercado na atualidade?

De fato, a área de TI foi muito solicitada nesse momento de pandemia por toda necessidade do virtual, da falta de contato ente as pessoas, da necessidade de distanciamento social. Por um lado, se tivesse sido dez anos atrás, seria mais difícil. Havia vários processos em andamento, sejam soluções de videoconferência, conectividade, ou mesmo processos eletrônicos. Diversas soluções que demorariam um tempo natural para acontecer, foram aceleradas, como por exemplo, a Telemedicina. Li uma frase recente que diz que “fomos jogados em 2030 sem paraquedas”. Acho que isso aconteceu e, de alguma forma, causou uma revolução no mercado. As necessidades de soluções de tecnologia estão disparadas em diversas áreas. Há uma dificuldade de conseguir programadores. Vários programadores ainda iniciantes estão sendo disputados pelo mercado e a necessidade de conectividade cresceu, o que de alguma forma é bom pra todo mundo, é um momento de aceleração na área de TI.

No Rio Grande do Norte, ele se tornou mais robusto? Qual foi o crescimento da sua empresa no último ano e a quais fatores o senhor credita isso?

O Estado também acompanhou esse processo como o resto do Brasil, e que bom que nós tínhamos profissionais que conseguiram dar soluções locais também. Existe uma cadeia de formação, seja das Universidades Federais, das privadas, dos Ifs (Institutos Federais). Fico orgulhoso de ver os nossos profissionais darem soluções, serem disputados, saírem para outros Estados, mas a gente espera que aconteça cada vez menos, que as oportunidades aconteçam aqui. Temos trabalhado para isso, com a criação e desenvolvimento da nossa empresa, como na criação do HUB Tecnológico na Interjato. A empresa cresceu nos últimos anos baseada em conectividade, mas também em outras soluções tecnológicas como videomonitoramento inteligente e acreditamos que essa tendência continua por todo processo que a gente tem visto.

Recentemente, a Interjato obteve o ISO 20000. Em linhas gerais, no que consiste essa certificação e por quais motivos ela é tão importante para uma empresa potiguar?


A ISO 20000 é uma certificação internacional voltada para gestão da qualidade de serviços em TI, em Tecnologia da Informação e Comunicação. Nós passamos a buscar essa certificação, tanto como um símbolo, como uma referência como toda certificação, mas também como uma diferenciação, pelo perfil de atendermos clientes internacionais e nacionais que valorizam esses padrões de atendimento e, de fato, isso impactou muito a empresa. Não é uma certificação simples de se conseguir, foi conquistada depois de muito tempo de trabalho e para isso foi preciso ter método, acompanhamento, indicadores e procedimentos muito claros. Com essa certificação, nós passamos a fazer parte de um grupo seleto de empresas, atestando esse diferencial nos procedimentos. Não é somente simbólico, é uma certificação que tem uma série de desdobramentos práticos que melhoram a qualidade da empresa. Tem uma importância grande, temos orgulho de termos investido tempo e recursos para consegui-la.

O leilão da tecnologia 5G é prometido para ocorrer ainda este ano. O senhor acredita nessa possibilidade? Quais os entraves para a chegada dessa tecnologia ao Brasil do seu ponto de vista?


Nós acompanhamos de perto o nascimento das discussões sobre o 5G e acredito que as etapas mais complexas já passaram. O leilão deve sim acontecer em breve, nos próximos meses. O 5G tem um impacto muito grande. Não é simplesmente uma mudança de padrão como foi do 2G pro 3G ou do 3G pro 4G. No 5G há uma multiplicação muito grande, a banda possível de ser transmitida aumenta 100 vezes, a velocidade de comunicação passa a ser muito mais curta, o que abre espaço para diversas aplicações. A revolução não é só da comunicação mais rápida, mas vai proporcionar carros autônomos, realidade virtual, cirurgias remotas e permite também uma conexão imensa de equipamentos. Vai ser um propulsor muito grande da Internet das Coisas (IoT). Nessa tendência que tudo tenha uma conexão com a internet, ou seja, envie dados e receba comandos, o 5G vai permitir uma comunicação massiva de muitas coisas, literalmente. Não só de pessoas, mas também de coisas. O 5G tem esse impacto de revolução por todos esses aspectos e consequências que ele traz.

O RN tem se destacado na formação de profissionais de TI através do Instituto Metrópole Digital (IMD). A mão de obra desse setor no Estado é qualificada ou o senhor precisa buscar trabalhadores em outros Estados?

O IMD é uma referência na formação de profissionais de TI. Nós temos, na nossa equipe, diversos profissionais oriundos do IMD, assim como temos dos Institutos Federais. Alguns profissionais precisamos formar na Interjato pelas especificidades da empresa. É um desafio para todo meio acadêmico estar atualizado, formar profissionais compatíveis com a demanda do mercado. A Academia (Universidade), não só no RN e no Brasil, talvez em boa parte do mundo, tem uma dificuldade de acompanhar as mudanças e as demandas, mas em geral, os profissionais formados aqui têm boa qualidade e quase nunca nós precisamos ter profissionais de outros Estados. Eles se adaptam às nossas demandas, mas não é preciso trazer de fora. E temos tentado estar cada vez mais próximos da Academia de forma geral, para que a gente possa sinalizar quais são as demandas existentes para que os profissionais possam ter essa formação adaptada ao mercado. Em alguns casos, temos proposto treinamentos mesmo para os estudantes, para que esses possam conhecer um pouco da realidade das empresas e possam estar mais alinhados com isso.

O que é preciso para a Tecnologia da Informação se desenvolver mais no RN?


É importante entendermos que não é simples desenvolver tecnologia e pólos tecnológicos. É um desafio muito grande, o mundo todo está correndo. Em alguns momentos me preocupo com o desenvolvimento do Brasil e do nosso Estado. Nós que trabalhamos com Tecnologia, que temos relação com empresas grandes e pequenas, nacionais e mundiais, essas empresas não param. Quando os EUA se preocupam com o desenvolvimento tecnológico da China, que o país se torne líder em tecnologia, me pergunto onde estamos nesse cenário. Por outro lado, quando vemos de perto realidades como o vale do Silício, vemos que eles estão usando as mesmas tecnologias e as pessoas têm qualificações parecidas. Mas o que tem de tão diferente? É um ambiente propício ao desenvolvimento de ideias. Acho que essa é a grande carência e o grande trunfo. Precisamos investir muito fortemente na criação de um ecossistema para que as ideias possam florescer, para que os jovens que tenham ideias inovadoras possam daqui mesmo construí-las e coloca-las de pé aqui em Natal e no Rio Grande do Norte. Que não precisem migrar para outros Estados, que aqui mesmo tenham mais chance das ideias e negócios acontecerem. É fundamental que tenhamos um ambiente propício e articulado. E isso não depende somente da Academia de forma geral, depende também dos órgãos de apoio, das empresas, das instituições financiadoras e dos governos. Todos os casos de sucesso no mundo ou nacionais partiram de uma articulação muito forte, como por exemplo aconteceu em Londrina, no Paraná, uma articulação muito forte do município com diversas instituições, associações comerciais e indústrias. Só assim nós vamos conseguir, de fato, gerar um processo consistente e de longo prazo.

Como o senhor avalia o cenário econômico nacional hoje? Vê riscos de aumento de desemprego e da crise financeira? Por quê?


Não é a minha especialidade, mas como todo empresário e como pessoa envolvida no setor nacionalmente, no meu caso com a Associação dos Provedores, a gente faz essa análise de cenários e eu vejo com um certo otimismo. Em outros locais, como os EUA, há uma recuperação significativa, há a possibilidade de entrarmos numa época de mais produtividade, apesar de todas as ameaças que vemos de poder haver uma substituição tecnológica pela mão de obra. Há uma necessidade que as pessoas se reciclem, desenvolvam novas habilidades e novas competências. Mas sempre sou um otimista, apesar de não podermos ser um otimista alheio a números e cenários, acho que ainda teremos um efeito rebote desse tempo de pandemia, de desaquecimento da economia. Vemos agora cenários de aumento de inflação, de necessidade de aumento de taxa de juros, então acho que temos um caminho longo para uma plena recuperação. Sou otimista, mas temos que estar preparados para ainda um cenário com dificuldades no meio do caminho, principalmente na criação de novas vagas.

O senhor é contra ou a favor da vacinação? Defende que empresas privadas comprem as doses?


Sou completamente a favor da vacinação. Acho que o país perdeu muito tempo e lamento que não tenhamos tido a coragem como sociedade de fazer um lockdown de verdade. Talvez se tivéssemos feito duas semanas de lockdown teríamos cortado um fluxo de contaminação e isso teria evitado mortes e permitido reaberturas mais rápidas. Como sociedade, nós não agimos da melhor forma. Sou completamente a favor da vacinação, acho que a única saída para o cenário atual é de fato vacinação e distanciamento, enquanto as coisas se normalizam. Mas isso não quer dizer que não deva retomar as atividades comerciais. Estas devem estar sempre trabalhando no limite, abrir o máximo possível. Precisamos trabalhar com as armas da ciência que nós temos. Alguém, como eu, que trabalha com tecnologia, tem que acreditar em ciência. Máscaras, ações para diminuir contaminação e vacinação. Penso que as empresas privadas não devem comprar doses considerando que já haja um processo de compra dos governos, uma ação efetiva coordenada pelo governo federal. Se é para empresas comprarem, entrando no mercado para disputarem a vacina que os governos estão tentando comprar, para os preços subirem e criar uma inversão na ordem que também a ciência aconselha para vacinação, eu sou contra, considerando que esse seria o fluxo normal das coisas. Agora, num país em que somos acostumados a ver uma certa inércia do poder público em ações, acho que as empresas não devem ter a preferência, mas não devem ser excluídas da oportunidade de comprar, aplicar para os trabalhadores e continuar fazendo a economia se mover.

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