Por que o Rio Grande do Norte é o maior potencial de energia renovável do Brasil

Ela ilumina nossa casa, nos leva até o trabalho, está presente até nas horas de lazer: as diferentes fontes de energia são essenciais em nossa vida.

Mas, nem sempre toda essa comodidade vem de uma fonte energética limpa e o mundo está pagando caro por isso. É que a energia suja não é renovável e sua fonte se esgota com o tempo. Como se isso não bastasse, ela ainda é associada à poluição e é uma das principais causadoras do aquecimento global.

Ainda bem que encontramos uma saída com as fontes de energias renováveis, e temos um estado em especial no Brasil que tem potencial de ser protagonista na produção de energia limpa no mundo: o Rio Grande do Norte.

O Rio Grande do Norte hoje é considerado o maior potencial eólico do Brasil. Ele está em primeiro lugar em número de potência fiscalizadora (potência mensurada no momento de operação) de aproximadamente 7 GW. Para se ter uma ideia, 1 GW consegue abastecer aproximadamente 3 milhões de pessoas. O consumo total do estado precisa de pouco mais de 1 GW, ou seja, o que sobra, tem potencial de gerar energia para outras 17 milhões de pessoas, o equivalente à população dos estados do Paraná, Espírito Santo e Tocantins juntos.

O estado também conta com 218 parques eólicos, sendo o segundo no país em número de parques, e atualmente gera um quarto da energia eólica no Brasil.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) trabalha para impulsionar a energia limpa no estado. O presidente da FIERN, Amaro Sales de Araújo, explica que a Federação tem atuado em diversas frentes.

Uma das iniciativas é a Mais RN, centro de inteligência e planejamento estratégico da economia potiguar, que reúne informações e propostas para criar um ambiente favorável aos negócios e ao empreendedorismo.

“O Mais RN acompanha tanto a energia eólica quanto a energia solar do Brasil e Rio Grande do Norte. Monitoramos projetos outorgados e também aqueles futuros, além de acompanhar mês a mês os números do setor, sistematizando e disponibilizando toda essa informação em plataformas digitais, para empresários, investidores, a sociedade como um todo”, afirma. O objetivo é apresentar os resultados e captar recursos para investir no setor.

“A energia solar é outro destaque no estado. Possuímos em todo o Brasil 5 GW de operação e, no RN, só em energia solar nós temos 0,1 giga de potência fiscalizada; mais quase 3,5 de potência outorgada em projetos futuros,” reforça.

Sales também destaca o Centro de Tecnologia do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) e o Instituto de Inovação (ISI-ER) do SENAI-RN: “Esses institutos são hoje a maior referência nacional na área de pesquisa e desenvolvimento de energias renováveis. Em um estudo recente realizado pelo SENAI-RN, por meio do CTGAS-ER, levantou-se que, só de potência, o Rio Grande do Norte e Ceará conseguem gerar perto de 145 gigas, então é, por assim dizer, um mundo à parte offshore que existe de potência”, explica.

Pesquisa e Inovação em energia renovável são marcas do SENAI-RN

O SENAI-RN trabalha com pesquisa e produção de energias limpas desde 2004. O Diretor do CTGAS-ER e do ISI-ER, Rodrigo Mello, explica algumas das linhas de pesquisas desenvolvidas pelos institutos: “Nós trabalhamos com diversas fontes de energia renovável, dentre elas, biocombustíveis e combustíveis limpos, como o hidrogênio. Também trabalhamos com biomassa e fontes orgânicas, e agora, nós estamos com uma pesquisa em andamento que é o querosene de aviação a partir de fonte orgânica”, relata

Outro fator importante é a oferta e disponibilidade dos serviços energéticos a todo momento, em quantidade suficiente e a preços acessíveis. É o que chamamos de eficiência energética.

Rodrigo Mello explica que o Brasil tem destaque em segurança energética, e em especial, no Rio Grande do Norte. “Com esse Brasil continental, nós temos uma possibilidade imensa de ampliar a nossa geração a partir das fontes eólica e solar. Temos uma fronteira grande que se apresenta para o Brasil na área de energia eólica offshore, que é a energia eólica gerada no mar”, confirma.

Do Rio Grande do Norte para o Brasil

Para dar conta de tanta demanda no setor de energias renováveis, é preciso ter mão de obra. Para isso, o SENAI-RN, em parcerias com empresas do setor, tem realizado cursos de capacitação profissional em todo o país.

Uma das últimas turmas formadas foi fruto da colaboração do SENAI-RN com a Elera Renováveis, que promoveu o curso de iniciativa do Programa de Investimento Social e Complexo Solar Fotovoltaico de Janaúba, em Minas Gerais.

Eles receberam o certificado do SENAI de capacitação profissional, reconhecido em todo o Brasil. Graças a isso os convidados interessados foram convidados a participar do processo seletivo das equipes de montagem de rastreadores solares, uma ferramenta de última geração que potencializa a performance do Complexo Solar Janaúba.

O Complexo Solar Fotovoltaico de Janaúba está em fase de implantação e terá uma capacidade de gerar 1,2W, energia suficiente para abastecer 4,1 milhões de pessoas, o equivalente a Manaus e Curitiba juntas. A conclusão da obra está prevista para 2023.

Outra empresa que faz parcerias com o SENAI-RN é a EDP Renováveis. Ela promoveu o programa “Keep it Local Solar”, coordenado pelo SENAI, que oferece curso de formação em Instalação de Sistemas Fotovoltaicos, atualmente desenvolvido no município de Lajes, RN.

É uma iniciativa que busca impulsionar a empregabilidade em zonas rurais e contribuir para a formação e criação de emprego, com a intenção de evitar que as pessoas deixem a zona rural. O programa oferece 25 bolsas totalmente gratuitas.

A EDP Renováveis é a quarta maior produtora mundial de energia eólica, presente em 26 mercados internacionais, e voltou os olhos para o Brasil e para o Rio Grande do Norte por reconhecer o potencial renovável no estado. É lá que a empresa concentra o maior número de empreendimentos eólicos e já tem projetos no estado superiores a 1 GW de potência instalada.

Os desafios para se implementar a energia limpa no país

A energia renovável é um sistema interligado e depende de infraestrutura. Alguns dos desafios são o deslocamento para implementar e transportar essa energia.

A FIERN vem trabalhando frente à órgãos governamentais para a criação de leis e para trazer segurança jurídica aos investimentos: “estamos dialogando com o CONEMA, o Conselho Estadual do Meio Ambiente do Rio Grande do Norte sobre uma nova proposta normativa. Esperamos que isso traga regras claras e parâmetros competitivos regionais”, afirma o presidente da FIERN, Amaro Sales de Araújo.

Há ainda gargalos para efetivar os offshore no Brasil, pois não existe regulamentação do setor. Sobre a energia vinda das torres no mar, a FIERN acompanha um projeto que cria um marco regulatório para o processo dessas usinas “Ainda está na fase de discussão no Congresso, mas abrange diretamente o nosso estado, já que o maior potencial offshore hoje é Rio Grande do Norte e Ceará”, comenta Sales.

O diretor regional do SENAI-RN, Rodrigo Mello, reforça que o Rio Grande do Norte se destaca no potencial de geração da chamada energia verde por sua localização na esquina do continente e próximo à linha do Equador. “Para se ter energia limpa, não basta ter dinheiro e tecnologia para produzir, é preciso ter as condições ambientais. E nós somos um dos melhores ambientes do mundo para se produzir essa energia na maior diversidade de matriz possível”, conclui.

Fonte: Agência de Notícias da Indústria

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