Casa dos Ventos e Energisa fecham grande acordo

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Fonte: OPretoleo.com Por: Miquéias Santos

A Casa dos Ventos assinou contrato de longo prazo (PPA) com a Energisa Comercializadora para venda de energia do complexo eólico Rio do Vento, no estado nordestino do Rio Grande do Norte, que está entrando em operação comercial. O acordo prevê o fornecimento de 20 megawatts (MW) médios de 2023 a 2038. As empresas não divulgaram o valor do negócio.

O complexo eólico com capacidade de 504 MW operava até então em fase de testes e recebeu as primeiras licenças de operação há algumas semanas. De acordo com o diretor de novos negócios da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, a expectativa é que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) emita o pedido de operação comercial da unidade nesta semana.

O presidente da Energisa Comercializadora, Pedro Vidal, afirma que a compra está alinhada à estratégia do grupo de ampliar a participação de energias renováveis ​​em seu portfólio, em meio à transição para uma economia de baixo carbono e à expectativa de expansão do mercado livre, uma vez que se abrirá para pequenos consumidores nos próximos anos.

“Queremos ter energia limpa e renovável para entregar aos nossos clientes, num contexto de descarbonização [da economia]”, afirma.

Vidal diz que os contratos de longo prazo com geradores, como é o caso do contrato com a Casa dos Ventos, ajudam a trading a escapar da volatilidade de curto prazo do mercado.

Ele destaca que a demanda dos clientes do mercado livre por novos contratos cresceu nas últimas semanas, devido à crise hídrica que afeta a geração hidrelétrica e impacta os preços da energia. “Dessa forma, conseguimos ter preços competitivos e atender os clientes de forma que eles também fiquem fora dessa volatilidade. É uma forma de proteger os clientes, para que tenham um custo de energia previsível ”, afirma.

Com a conclusão da rodada de comercialização da primeira fase do Rio do Vento, a geradora eólica passará a focar nos contratos de comercialização da energia da segunda fase do complexo e do projeto Babilônia, na Bahia.

Ambos começarão a ser construídos no segundo semestre deste ano e a previsão é que comecem a operar em 2023.

O diretor da Casa dos Ventos diz que o grupo quer transformar suas usinas eólicas em unidades híbridas, junto com a geração solar. Desta forma, o portfólio do grupo deverá atingir, nos próximos dois anos, 1,6 GW de capacidade eólica e 400 MW de geração solar fotovoltaica.

Além disso, o desenvolvimento de um projeto exclusivamente solar também está nos planos. A empresa avalia diversificar não só seu portfólio de geração, mas também sua presença geográfica, que até agora se concentrava no Nordeste do país.

“Estamos estudando um projeto de energia solar talvez na região Centro-Oeste. A ideia é, para a fonte solar, diversificar nossa atuação do ponto de vista de mercado. Se a empresa quiser preservar um pouco do risco de submercado, a ideia é ter geração também no Sudeste ”, afirma Araripe.

A Casa dos Ventos também avalia o desenvolvimento de um novo projeto eólico no Nordeste, ainda sem tamanho definido. O grupo também está cadastrado para participar dos leilões da Aneel para o mercado regulado previstos para o final deste ano. Araripe destaca, porém, que o foco do grupo continuará no mercado livre. “Participamos dos leilões para ver os preços, mas mesmo que ganhemos, será com uma parcela mínima da nossa capacidade. Nosso grande foco são esses contratos com grandes e médios consumidores ”, afirma.

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